O Cão da Serra da Estrela tem o seu solar aqui na Serra da Estrela desde remotas eras, perdendo-se no tempo a sua verdadeira origem. Deve ser, no entanto, uma das raças caninas mais antigas da Península Ibérica... Encontra-se desde as imediações das Faldas da Serra até às mais elevadas altitudes... Os cães acompanham os rebanhos como guardiães vigilantes... encontram-se ainda dispersos por vários pontos do país, sobretudo no centro, vindos da serra quando cachorros ou nascidos já de reprodutores oriundos das regiões serranas...” Constitui este parte do resumo histórico, apêndice ao Estalão da Raça, concebido nos primórdios dos anos 30 pelo cinólogo Professor Dr. Manuel Fernandes Marques. Presume-se que foi o melhor possível, no tempo. Todavia não deixa de ser um factor muito importante nos dias que correm, porque sem este trabalho de base prévio agora teríamos as maiores dificuldades em continuar a desenvolver e a diversificar o historial da raça que teve a sua grande evolução nos últimos anos. A transumância dos rebanhos de ovelhas da serra para as regiões de Coimbra, Douro e Idanha, onde os pastores se fixaram, temporariamente, durante os meses de inverno a apascentar o gado – dado que na serra os sucessivos nevões impossibilitavam o acesso dos animais às pastagens – fazia com que nesse período de tempo as cadelas se cobrissem e viessem depois a parir. Os cachorros criados acabariam por lá ficar entregues aos donos das propriedades onde os gados permaneciam. Por este principal motivo a raça foi-se fixando nesses domínios onde depois passou a desenvolver excelentes funções de guarda de propriedades e outros haveres. Assim a raça foi-se alastrando progressivamente a outras zonas do país, principalmente para norte. Nos tempos que passam, o Cão da Serra da Estrela, além de já fazer história de Norte a Sul de Portugal, também se implantou no Reino Unido, Bélgica, Holanda, França, Escandinávia e também nos Estados Unidos da América e Brasil. Estamos em crer que, progressivamente, irá chegar a todo o mundo.

Comportamento

O seu carácter um pouco independente faz com que esta raça se adapte muito bem aos tempos modernos, nos quais muitos cães devem esperar que os donos regressem do trabalho no fim do dia. Ter em atenção que esta raça não está propriamente vocacionada para ser animal de companhia em apartamento necessitando sempre de espaço ao ar livre para se desenvolver física e psicologicamente.
O SERRA DA ESTRELA consegue esperar pacientemente, guardando a casa e o jardim, até que o dono volte a casa no fim do dia.
Mas uma coisa é certa: o comportamento do cão fica a dever-se sobretudo à educação que recebeu do seu dono e ao convívio com o mesmo.
A beleza deste cão, a sua inteligência e a robustez, são características que lhe permitem ser mais do que um excelente guarda: ele é também um bom cão de família e muito tolerante com as crianças.

Variedades

Duas variedades: pêlo comprido e pêlo curto.

Em 1934, quando surgiu o estalão da raça, passaram a fazer-se distinção entre o cão Serra da Estrela de pêlo comprido e o de pêlo curto. Deve ter havido também muitos cruzamentos entre pêlo curto e pêlo comprido, devido ao facto de os pastores deixarem as cadelas sempre livres e de não existir, assim, um controlo na sua reprodução.
Sentimo-nos responsáveis por termos cooperado na recuperação da raça quando esta se encontrava numa fase muito carenciada. Colaboramos com outros criadores trocando opinioes e dúvidas.

Se a Raça está bem, nós (os criadores) somos considerados responsáveis e por isso, sentimos o dever de continuar a tarefa que nos foi e continua a ser exigida.

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